Um músico e compositor de Florianópolis foi o vencedor do 1º Festival da Canção de Protesto realizado de maneira on-line, que reuniu artistas de todo o país. Vítor Vital, de 24 anos, compôs a canção Ladrilho do Forte, contra o preconceito e à favor da igualdade, que ficou em primeiro lugar na competição.


O festival recebeu cerca de 200 inscrições de todas as regiões do país. Dessas, 10 foram selecionadas por um júri especializado e apresentadas em uma plataforma de vídeos. A canção vencedora foi escolhida sábado (3) por voto popular.   


"Mas se te incomoda tudo isso ou aquilo que você não é, é porque já nascestes calçando o mesmo sapato no pé.

E se te incomoda aquilo que represento e sou, assim contestando vou seguindo a vida de um bom professor", diz um trecho da música composta por Vítor em 2018.


Ela integra um conjunto de 11 canções próprias que falam de sexualidade, masculinidade, liberdade e equidade social. Por enquanto, a música está disponível apenas no canal do festival.


"Escolhi o título Ladrilho do Forte, porque gosto da ambiguidade poética que traz a palavra ladrilho. Penso nela em dois sentidos. Como um ladrar, um grito, um latido e como ladrilho da construção de uma parede, como metáfora à construção de uma pessoa", explicou Vítor, que aguarda a pandemia passar para receber o prêmio: uma apresentação no Bar Opinião, tradicional casa de shows em Porto Alegre (RS).


Vítor conta que tem a esperança de ver mais espaço e reconhecimento no estado. “É uma grande honra. Sinto que a música autoral catarinense de protesto, particularmente de musicistas que trabalham no formato canção, tem pouca visibilidade nacionalmente. E para mim, o pior de tudo, é a pouca visibilidade que tem dentro de nosso próprio estado”, disse. 


Festival de Protesto


 O objetivo do Festival da Canção de Protesto é promover trabalhos e artistas cujas obras tratem de direitos humanos, igualdade e liberdade.


"O Festival de Protesto veio para dizer alguma coisa e a gente vê que o Brasil tem muito a dizer", comentou o jurado Thiago Suman na abertura do evento.


O festival foi o primeiro no país, mas não é algo inédito. Nos primeiros anos da ditadura militar, entre 1965 e 1968, os festivais de música popular brasileira eram espaços que compositores e artistas como Chico Buarque, Elis Regina, Geraldo Vandré usavam para se apresentar e protestar contra o regime por meio da música.


Algumas mais veladas, como A Banda, de Chico Buarque, e outras com críticas diretas, como Para não dizer que não falei de flores, de Geraldo Vandré.




Fonte: G1