O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou na terça-feira (25) que considera impor sanções pessoais ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, se a Rússia invadir a Ucrânia (veja no vídeo acima). Horas depois, o governo britânico disse que não descarta fazer o mesmo. O governo russo respondeu nesta quarta-feira (26) e afirmou que qualquer medida contra Putin seria politicamente destrutiva, mas não dolorosa.


O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que os políticos dos EUA que falam sobre possíveis sanções pessoais contra o presidente russo não têm conhecimento especializado suficiente sobre o assunto.


A rara ameaça pessoal ocorre em meio à escalada de tensão no leste europeu, com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) posicionando tropas, navios e caças na região, em resposta ao acúmulo de tropas russas e exercícios militares perto de sua fronteira com a Ucrânia. 



Rússia x Otan


A Rússia insiste que não planeja invadir a Ucrânia e diz que a crise na região está sendo impulsionada por ações da Otan e dos EUA. Putin vê a ex-república soviética como essencial na geopolítica da região e um "amortecedor" entre a Rússia e os países da Otan — e, por isso, exige que a o bloco político-militar garanta que a Ucrânia jamais fará parte do grupo.


A Otan é uma aliança político-militar dos EUA e do Canadá com países europeus que foi fundada em 1949, durante a Guerra Fria, para inibir o avanço da União Soviética na Europa e para proteger mutuamente os países-membros (pelo tratado, se um membro for atacado os demais são obrigados a reagir).


Com o fim da União Soviética e o colapso do bloco soviético, a Otan passou a se expandir em direção ao leste europeu, quase dobrando de tamanho (atualmente a organização tem quase 30 Estados-membros).

Países que faziam parte da União Soviética, como a Estônia, a Letônia e a Lituânia, ou ex-aliados da Rússia no Pacto de Varsóvia, como a Polônia, hoje estão sob influência da Otan — o que a Rússia não aceita e considera uma ameaça.


Os EUA e os países europeus dizem que não podem aceitar a exigência de impedir um país de querer entrar na Otan, não acreditam na versão russa de que não vai invadir a Rússia e ameaçam severas sanções econômicas se isso ocorrer.


(Outra) invasão à Ucrânia

O governo russo quer não só que a Otan pare de ampliar a sua área de influência para países como Belarus e Ucrânia como deseja que a aliança político-militar recue e se afaste de países do leste europeu, exigindo a retirada das tropas do bloco de nações como a Romênia e da Bulgária (que fazem parte não só da Otan, como também da União Europeia).


A Rússia já invadiu a Ucrânia recentemente, em 2014, e anexou a região da Crimeia. Na época, manifestantes derrubaram o então presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, que havia desistido de assinar um tratado de livre-comércio com a União Europeia e preferiu estreitar relações comerciais com a Rússia.


A decisão deu origem a protestos em massa que resultaram na destituição de Yanukovich, que fugiu para a Rússia. Os russos então reagiram e invadiram a Crimeia, sob protesto dos EUA, da União Europeia e da Otan, e seguem controlando a região até hoje.



Fone: G1